Existe um número que poucos no setor estão acompanhando — e que vai definir quem cresce nos próximos três anos.
Enquanto o volume geral da construção civil brasileira desacelerou em 2024, os lançamentos residenciais acima de R$ 1,5 milhão cresceram 14%, segundo o CBIC. Em São Paulo, esse segmento respondeu por quase 40% do VGV total lançado no ano. No Nordeste, capitais como Fortaleza e Recife registraram expansão consistente no alto padrão pelo terceiro ano consecutivo.
O mercado premium não parou. Ele acelerou. E está acelerando em silêncio.
O que torna esse dado relevante para uma marmoraria não é o número em si — é o que ele revela sobre o perfil do cliente que está chegando. O comprador de imóvel acima de R$ 1,5 milhão não negocia acabamento como commodity. Ele especifica. Ele pesquisa. Ele chega à conversa com referências internacionais já definidas e com disposição para pagar mais — desde que o fornecedor entregue à altura do que foi prometido na planta.
Esse cliente tem uma característica que muda completamente a dinâmica comercial da marmoraria: ele não compra preço. Ele compra segurança.
E segurança, nesse contexto, significa algo muito específico. Significa saber que o veio vai ser alinhado como o arquiteto especificou. Que a espessura vai ser consistente em todas as peças. Que o prazo não vai comprometer o cronograma da obra. Que não vai existir surpresa desagradável no momento do assentamento.
O problema é que a maioria das marmorarias ainda está estruturada para atender um mercado diferente. Processo variável, dependência de operador-chave, retrabalho silencioso — tudo isso passa despercebido em projetos de médio padrão. No alto padrão, aparece. E quando aparece, não tem segunda chance.
A Urban Land Institute, em seu relatório de tendências imobiliárias para América Latina de 2025, destacou que a demanda por acabamentos de alto padrão no Brasil deve crescer acima da média do setor pelo menos até 2027 — puxada por um perfil de comprador cada vez mais internacionalizado e exigente. O mercado vai continuar crescendo. A questão é se a sua operação está posicionada para capturar esse crescimento — ou apenas para observá-lo.
Há uma janela aberta. Ela não vai ficar aberta para sempre.
Até lá,
Arthur David
Diretor de Inovação da Aço Art