“Não acho gente boa para contratar” — a frase que virou estatística nacional

Olá, caro cliente

 

Tem uma conversa que se repete em praticamente toda roda de marmoristas que participo. Muda a cidade, muda o porte da operação, mas a frase é sempre parecida: “não acho gente boa para contratar.”

O que talvez você não saiba é que essa dor deixou de ser impressão de setor e virou estatística nacional — das mais preocupantes.

No quarto trimestre de 2025, a Sondagem Industrial da CNI mostrou que 23,1% dos empresários citaram a falta de trabalhador qualificado como um dos principais entraves nos negócios — o maior nível da série histórica iniciada em 2015. Entre pequenas empresas, o percentual chega a 28,4%, o segundo maior problema do ranking, à frente de quase tudo que costuma tirar o sono do empresário. E o dado mais impressionante: desde 2020, esse indicador praticamente quintuplicou, saltando de 5% para os atuais 23%.

O detalhe que torna tudo mais grave: isso acontece com a taxa de desemprego na mínima histórica de 5,1%. Não é que falte gente. Falta gente preparada. E tem um componente geracional nessa equação que o setor precisa encarar: pesquisa do Datafolha aponta que 59% dos brasileiros preferem ser autônomos — percentual que sobe para quase 70% entre os jovens de 16 a 24 anos. O jovem que antes entrava na marmoraria para aprender o ofício hoje quer empreender por conta própria.

Na prática, isso significa que o operador experiente ficou mais caro, mais raro e mais disputado. E que formar alguém do zero ficou mais lento e mais arriscado — você investe meses de treinamento sem garantia de permanência.

Agora, a leitura menos óbvia — e mais útil — desse cenário.

Se a mão de obra qualificada vai continuar escassa (e tudo indica que sim: o Mapa do Trabalho Industrial da CNI estima que três em cada cinco trabalhadores precisarão ser treinados até 2027), a pergunta estratégica não é “como encontro mais gente boa?”. É “como estruturo minha operação para depender menos de encontrar gente excepcional?”.

São duas respostas diferentes para o mesmo problema. A primeira depende do mercado — e o mercado está dizendo não. A segunda depende de você: processo documentado, padrão claro de execução, tecnologia que reduz a variável humana nos pontos críticos. Uma operação em que um profissional mediano, bem treinado, entrega resultado consistente — porque o processo carrega a qualidade, não apenas o talento individual de quem está na máquina.

É essa lógica que orienta o que desenvolvemos na Aço Art: equipamentos que não exigem um operador excepcional para entregar resultado excepcional. Num país onde o profissional qualificado virou o recurso mais escasso da indústria, a máquina que amplifica a capacidade de quem opera deixou de ser diferencial competitivo. Virou estratégia de sobrevivência.

A escassez de mão de obra veio para ficar. A boa notícia é que ela pune com mais força justamente quem insiste em depender só dela.

Até lá,

 

Arthur David

Diretor de Inovação da Aço Art