A pedra brasileira conquistou o mundo. E agora?

Olá, caro cliente

 

Todo dia, caminhões carregados de pedra saem do Espírito Santo em direção ao porto. A maior parte de nós já se acostumou com essa cena. Mas vale parar um instante e pensar no que ela representa: o material que passa pela sua serra é, hoje, um dos produtos brasileiros mais reconhecidos no mundo.

Os números sustentam o orgulho. Segundo a ABIROCHAS, com dados do Comex Stat, as exportações brasileiras de rochas ornamentais atingiram US$ 1,26 bilhão em 2024, tendo os Estados Unidos como principal destino. E 2025 entrou para a história como ano recorde das exportações de pedra natural brasileira, conforme registrou o Centrorochas. Não é pouco para um setor que, décadas atrás, era visto como extrativismo de baixo valor.

Mas o dado que mais me interessa não é o total. É a diferença de preço entre o que sai bruto e o que sai beneficiado.

No primeiro quadrimestre de 2025, ainda segundo a ABIROCHAS, as rochas processadas foram exportadas a um preço médio de US$ 1.331,4 por tonelada, enquanto as rochas silicáticas brutas saíram a US$ 261,2 por tonelada. A mesma pedra, da mesma jazida, vale cinco vezes mais quando cruza a fronteira já cortada, polida e acabada.

Esse número diz algo importante sobre onde está o valor do nosso setor. Não está só no subsolo — está no processo. O que o mundo paga caro não é a rocha em si. É a rocha transformada com precisão, padrão de espessura, acabamento consistente e capacidade de repetir o resultado lote após lote. É exatamente o que uma marmoraria faz todos os dias, só que numa escala diferente.

E aqui mora a leitura que vale para quem nunca exportou um metro sequer. O comprador internacional — o distribuidor de Miami, a construtora de Dubai, o showroom de Milão — exige da pedra brasileira um padrão técnico que o mercado interno, até pouco tempo, tolerava não receber. Espessura uniforme, corte exato, acabamento sem variação. Esse padrão está voltando para dentro do país. O arquiteto brasileiro de alto padrão viaja, vê o que é entregue lá fora e passa a esperar o mesmo aqui. A régua internacional vira, aos poucos, a régua doméstica.

O momento também pede atenção. No primeiro semestre de 2026, as exportações somaram US$ 705 milhões, com retração de 4,6% em valor, segundo a ABIROCHAS — reflexo de um cenário externo mais difícil. Quando o mercado internacional aperta, parte do material beneficiado que iria para fora busca espaço dentro do país. Mais oferta de produto processado com padrão de exportação competindo no mercado interno. Para a marmoraria, isso é pressão e oportunidade ao mesmo tempo: pressão para elevar o padrão, oportunidade para quem já elevou.

Na Aço Art, acompanhamos esse movimento pelos dois lados — nossas máquinas cortam pedra que fica no Brasil e pedra que atravessa o oceano, e o que o segundo grupo exige de precisão é o que o primeiro vai exigir em breve.

A pedra brasileira já conquistou o mundo. A pergunta agora é quem, aqui dentro, vai entregá-la no padrão que o mundo já aprendeu a esperar.

Até lá,

 

Arthur David

Diretor de Inovação da Aço Art