Na semana passada, escrevi que a régua internacional está virando a régua da sua marmoraria. Há algumas semanas, estive em Verona, na Marmomac, e voltei com essa frase confirmada — e com uma lista do que vem por aí.
Primeiro, o tamanho do que vi. A 60ª edição da Marmomac reuniu, em quatro dias, mais de 1.300 expositores de 54 países e 50 mil profissionais de 132 nações, segundo a Veronafiere. O que mais caracteriza esta edição é sua dimensão internacional: 63% dos visitantes e 65% dos expositores vieram do exterior — e oito em cada dez operadores presentes tinham papel direto nas decisões de compra. É o setor inteiro do mundo decidindo, no mesmo lugar, o que vai comprar para os próximos dois anos. Marmomac chiude l’edizione 2026 con oltre 1300 espositori e 50mila operatori – Pambianco Design +2
E o que ele está decidindo é claro.
A pedra apareceu, mais uma vez, ganhando nova vida. O boleado que vimos em Cachoeiro estava lá — mas acompanhado de uma variedade de formatos, mobiliário e obras de arte que confirma que não se trata de moda passageira. É uma mudança de papel: a pedra deixou de ser só superfície e virou objeto. Vi isso pelos pavilhões e vi fora deles — o projeto Marmomac and the City levou 18 obras de artistas e designers para o centro histórico de Verona, transformando a pedra natural em instrumento de diálogo entre indústria, projeto, arte e cidade. veronaeconomia
Mas o que mais me chamou atenção foi algo mais sutil: a forma de apresentar o produto mudou. Novas texturas, novos acabamentos, novas maneiras de expor a chapa. Os expositores encontraram jeitos diferentes de mostrar o mesmo material — e isso diz muito. Quando o produto é o mesmo e a apresentação é o que diferencia, o jogo deixou de ser sobre o que se vende e passou a ser sobre como se vende. Vale lembrar daquela conversa sobre orçamento e showroom: o cliente compra o que consegue imaginar pronto.
Do lado das máquinas, a leitura foi quase unânime. Robotização. Troca automática de ferramentas. Medição automática. Não como diferencial de um ou outro fabricante — como padrão de praticamente todos. Em edições anteriores, isso era destaque de poucos estandes; agora é o que se espera de qualquer equipamento sério. O mercado global decidiu que a máquina precisa reduzir a variável humana nos pontos críticos do processo, e está construindo isso em massa.
Confesso que voltei de Verona com uma sensação boa. Troca automática de ferramentas, medição automática, capacidade de executar formas complexas com consistência — é exatamente o que colocamos na EVO IV. Ver isso como tendência dominante na maior feira do mundo, e ver mobiliário e arte em pedra reforçando a demanda por esse tipo de execução, foi a confirmação de que estamos olhando para o mesmo futuro que o setor inteiro.
Para a marmoraria, a leitura prática é simples. O que estava em Verona em setembro chega às feiras brasileiras em dois anos e à conversa do arquiteto em três. Quem entende agora que o mercado vai exigir pedra como objeto, apresentação como diferencial e processo com precisão automatizada tem tempo de se preparar. Quem esperar o cliente pedir vai estar reagindo.
Até lá,
Arthur David
Diretor de Inovação da Aço Art