Na semana passada, encerrei a leitura da feira com uma imagem: a pedra saiu da parede e do piso para virar mobília, arte e presença. Desde então, uma pergunta ficou martelando — e imagino que para alguns de vocês também.
Quem vai fabricar isso?
Porque a tendência está posta. Mesas esculpidas, bancos de formas orgânicas, escadas que viram escultura, peças que transformam o material em protagonista do ambiente. O movimento aparece nas feiras internacionais de design há alguns anos — o Salone del Mobile, em Milão, vem consolidando a pedra como matéria de mobiliário autoral — e agora se apresentou com força dentro da maior vitrine do setor no Brasil. A demanda vai chegar. A questão é quem estará posicionado para atendê-la.
E aqui mora uma distinção que vale dinheiro: peça escultural não é venda de metro quadrado. É venda de produto de design.
A lógica comercial muda completamente. Uma bancada se orça por metro, comparando com o concorrente da esquina. Uma mesa de centro esculpida em quartzito se precifica pelo valor do objeto — pela assinatura, pela execução, pela exclusividade. É outro mercado, com outra margem e, principalmente, com outra concorrência: muito menor, porque a barreira de entrada não é comercial. É técnica.
Executar uma curva perfeita, um boleado contínuo, uma forma orgânica sem marca de emenda exige um domínio de processo que a produção de revestimento plano nunca cobrou. Não há onde esconder imperfeição numa peça que será olhada de todos os ângulos, tocada, usada como centro do ambiente. A régua sobe — e é justamente por isso que a margem sobe junto. Mercado difícil de entrar é mercado que paga bem quem entra.
O caminho para uma marmoraria que quer explorar esse território normalmente começa com três movimentos mais simples. Primeiro, estudar o que está sendo feito: entender as formas, os acabamentos e as referências que arquitetos e designers estão especificando. Segundo, testar em escala pequena — uma peça autoral para o próprio showroom vale mais do que qualquer catálogo, porque demonstra capacidade de execução de um jeito que nenhum discurso comercial consegue. Terceiro, repensar a conversa com o arquiteto: quem fabrica peça de design deixa de ser fornecedor de material e passa a ser parceiro criativo do projeto.
O equipamento entra depois, como consequência — quando o processo já foi pensado e a oportunidade já foi validada. E aí sim, a capacidade técnica de executar formas complexas com consistência vira o diferencial que sustenta tudo. É para esse futuro que nós, da Aço Art, temos olhado ao desenvolver novas soluções: um mercado em que a pedra exige cada vez mais do processo, e o processo responde com precisão.
A pedra está se reinventando. As marmorarias que se reinventarem junto vão encontrar um mercado praticamente sem fila.
Até lá,
Arthur David
Diretor de Inovação da Aço Art