Semana passada, eu prometi trazer o que observamos nos corredores da 37ª Cachoeiro Stone Fair. Promessa é dívida — e essa edição nos deu muito o que ler.
Começo pelo número que resume o tamanho do evento: a Rua de Blocos reuniu mais de 80 blocos em um só lugar, uma edição recorde. Caminhar por ali foi ver a diversidade de materiais que movimenta o setor exposta a céu aberto — do clássico ao exótico, lado a lado com as máquinas pesadas que fazem essa cadeia girar. E o novo formato de três dias entregou o que prometia: feira cheia do primeiro ao último dia, corredores movimentados, negociações acontecendo nos estandes.
Mas o que mais me chamou atenção não foi o volume. Foi uma mudança estética que diz muito sobre para onde o mercado está indo.
A pedra apareceu curva.
Acabamento boleado por todos os lados: escadas de degraus roliços, mesas esculpidas em formas orgânicas, bancos que parecem dobrar o material, discos e esferas aplicados como elemento de design. A pedra deixou de se apresentar como revestimento plano e passou a se apresentar como objeto — mobiliário, escultura, protagonista do ambiente.
Isso não é só tendência visual. É um recado técnico. Curva bem-feita não perdoa processo instável. Quando o mercado passa a valorizar formas orgânicas, acabamentos elaborados e peças esculturais, ele está automaticamente elevando a régua de quem produz. O marmorista que domina esse tipo de execução entra num território onde a concorrência é menor e a margem é outra.
Foi exatamente pensando nesse movimento que levamos para a feira a nossa mais nova inovação: a EVO IV. Ela nasce preparada para esse mercado que está se desenhando — em que a pedra exige mais do processo, e o processo precisa responder com precisão. Ver a nova tendência exposta nos estandes ao redor e, ao mesmo tempo, apresentar a tecnologia que executa essa tendência foi a confirmação de que estamos olhando para o mesmo futuro que o setor.
E o mercado confirmou isso por outro ângulo. A pergunta que mais escutamos no nosso estande não foi sobre preço de máquina. Foi sobre qualidade e sobre o que acontece depois da compra: suporte, acompanhamento, garantia de continuidade. Mesmo com opções importadas mais baratas disponíveis, o comprador está fazendo uma conta mais madura. É a lógica que nós chamamos de sucesso do cliente: a venda não termina na entrega da máquina — começa ali.
A Praça do Marmorista merece registro também: um espaço que aproximou quem produz de quem coloca a mão na massa, reunindo materiais, ferramentas e conhecimento no mesmo lugar. Tive ainda o privilégio de participar de um talk show ao lado dos nossos parceiros da Nebrax e de um podcast com os organizadores da feira — e nos dois, o tema de fundo foi o mesmo que atravessa esta newsletter desde a primeira edição: o setor está trocando “quanto produz” por “com que consistência entrega”.
Se eu tivesse que resumir a 37ª edição em uma ideia, seria esta: a pedra está se reinventando. Ela saiu da parede e do piso para virar mobília, arte e presença — e essa reinvenção abre um mercado inteiro de possibilidades para quem estiver preparado para executá-la. O setor mostrou em Cachoeiro que não está apenas vendendo material. Está redescobrindo o que é possível fazer com ele.
Até lá,
Arthur David
Diretor de Inovação da Aço Art